Casamento

Chegamos na reta final de 2017, ano em que eu completo 33 anos de carreira como DJ profissional.

Um nome que já foi Discotecário, Disc Jockey e Dee Jay ou simplesmente DJ, mas o que importa é a razão dessa profissão, o amor por uma pista de dança pegando fogo, explodindo ou bombando!

Há 30 anos “a noite” era muito diferente. As pessoas reservavam mesas, saiam em casais, jantavam antes de dançar e dançavam músicas lentas – italianas, francesas e muito cheek to cheek.

Esse também era o clima das festas de casamento na época. Os pais organizavam tudo, tomavam as decisões pelos filhos e contratavam os fornecedores.

O convite de casamento era bem tradicional, feito em nome dos pais que convidavam para o casamento dos filhos.

As festas eram mais clássicas e não tinham o glamour dos mega casamentos que são realizados hoje em dia. Tudo era diferente.

A decoração pouco ostentativa, era feita por floristas especializados, que eram poucos. Quase tudo era importado. Aliás, a profissão Decorador de Festas de Casamento só surgiu na década seguinte.

A noite de núpcias fazia parte do sonho do casamento, uma vez que os noivos ainda não moravam juntos. Um casal morando junto antes do casamento era muito raro.

Também era muito comum os padrinhos seguirem os noivos na tentativa de atrapalhar a primeira noite juntos.

A entrada na festa com uma música especial ainda é tradição, mas logo após o corte do bolo o casal dançava uma valsa e logo depois a pista lotava com standards de Tony Bennett, Ella Fitzgerald e Frank Sinatra.

Era o cheek to cheek que todos adoravam dançar. Curiosamente, um dos primeiros DJs de festas de casamento era um pianista.

Elvert Brandão era o pianista oficial do Country Club de Ipanema e ficou muito conhecido pela alta sociedade carioca. Frequentemente ele fazia o som de jantares e comemorações para os sócios do clube e aos poucos começou a fazer as festas de casamento.

Ele teve a grande sacada de misturar o som mecânico com o som ao vivo de seus órgãos e teclados. Primeiro, começou a produzir bases de músicas que todos adoravam dançar, para deixar a pista mais quentes.

Pode ser difícil de imaginar, mas a pista “fervia” com muito “cheek to cheek”. Depois, ele começou a lançar sequências pré-gravadas com músicas para dançar. Quando ele voltava com o som ao vivo, a pista ficava ainda mais animada.

Ele montou um rack com diversos tape decks e levava músicas e sequências mixadas para as festas. Alguns aparelhos funcionavam só para rebobinar as fitas depois de tocar. Tudo era cuidadosamente marcado e listado.

Mais uma vez ele saiu na frente e lançou moda com os aparelhos de DAT, que usavam mini fitas digitais e que indexavam as músicas em capítulos. O trabalho ficou mais fácil e com mais qualidade.

Foi nessa época que eu comecei a trabalhar com ele. Durante a semana a gente ouvia muita música e gravava várias sequências mixadas. Foram muitas e muitas noites sem dormir, que hoje a gente relembra com muito carinho.

Testávamos as sequências nas festas e depois voltava pro estúdio para gravar de novo mudando algumas músicas. Foi assim que eu conheci um repertório absolutamente novo para um jovem que amava disco music e os hits da época.

Era muito difícil fazer um garoto de 17 ou 18 anos gostar de ouvir o novo álbum do Johnny Mathis e Henry Mancini quando ele queria patinar e ouvir Michael Jackson e Madonna. Mas foi com esse laboratório musical que eu aprendi muito sobre repertório, sobre sonorização, sobre postura, sobre clientes, etc.

Elvert foi uma escola absolutamente fundamental para a minha formação profissional.

Mas voltando às festas de casamento. Depois que a pista de dança estava oficialmente aberta, os noivos passavam de mesa em mesa para cumprimentar todos os convidados.

Vale ressaltar que a maioria dos convidados eram amigos dos pais.

As fotos eram quase artesanais, reveladas em papel a partir de negativos. Uma verdadeira obra de arte.

Atualmente a equipe de fotos registra cerca de 3 mil clicks ao longo de uma festa. Essas fotos passam por uma seleção, depois são tratadas e os noivos recebem pelo menos 500 fotos espetaculares. Mas na época não era assim.

O vídeo do casamento só surgiu a partir da explosão do videocassete e do sistema padrão de cor. Tinha o NTSC e o PAL-M, mas também criaram o N-Linha. Comprar uma TV no exterior era um sonho, mas também um pesadelo por causa do sistema de cor.

O bolo de casamento sempre foi clássico, branco, com um, dois ou três andares, que virou o bolo mais tradicional. O primeiro andar significa o noivado, o segundo, o casamento e o terceiro, a eternidade.

O vestido da noiva já era branco quando eu comecei a fazer festas de casamento, mas tudo começou com o vestido vermelho ou cores escuras e até estampadas. Dizem que o vestido branco surgiu no século XVI e a pioneira foi a rainha da Escócia, Mary Stuart.

Mas também há quem diga que foi Maria de Médici, na França, que usou o primeiro vestido branco. A terceira teoria atribui o primeiro vestido branco à Rainha Vitória, que se casou no século XIX.

Os anos passaram e tudo mudou! Hoje é possível escolher o atelier ou o estilista que vai fazer o vestido dos sonhos.

A pesquisa dos modelos pode ser feita em revistas, sites, blogs, redes sociais e até em programas de TV específicos sobre vestidos de noiva.

As mesas de doces ganharam um enorme destaque nas festas de casamento. Surgiram forminhas decorativas, o brigadeiro voltou com força total, os bem-casados nunca saíram de moda e muitas vezes o bolo passou a compor a mesa de doces.

O corte do bolo na pista de dança vem perdendo a importância nos últimos anos e muitos casais apenas simulam o corte do bolo para fazer as fotos tradicionais brindando com os pais.

A decoração das festas ganhou um glamour impossível de ser imaginado há algumas décadas. O céu é o limite para os projetos de decoração cada vez mais espetaculares e caros.

Recentemente eu fiz uma festa em Curitiba que teve 50 mil rosas vermelhas! Fora as outras flores. Para destacar tantas flores e tantos projetos maravilhosos, as empresas de luz cresceram e passaram a usar luz de led, mais econômica e com mais potência.

As pistas de dança também ganharam grande destaque, com projetos de luz espetaculares com muitos globos espelhados, moving heads, raio laser e estruturas espelhadas.

Sem falar nas próprias pistas, espetaculares, agora com luz de led e fundo infinito.

A energia passou a ser abastecida por modernos geradores de luz.

As festas de casamento passaram a acontecer em lugares diferentes, como museus, bibliotecas, castelos, praias, casa de cultura e até em outros países.

Surgiu o Destination Wedding e os casamentos passaram a acontecer em festas com duração de dois ou três dias, com a experiência de acontecer em outro país.

Tudo é cuidadosamente preparados e divulgado em sites, blogs e redes sociais, in loco, com muitas postagens de frases e hashtags, uma palavra nova que faz parte de toda festa que se preze.

As festas cresceram e a segurança também. Atualmente, qualquer grande evento precisa ter uma ambulância para prestar assistência médica aos convidados.

Não podemos esquecer da despedida de solteira e do chá de panela. O “esquenta” começa antes do casamento e a comemoração vira uma pré, com muita bebida, muita diversão, muitas brincadeiras e até DJ.

A noiva continua jogando o buquê (muitas vezes o Santo Antônio e também o sapo) mas o noivo também quer brincar com os amigos e de vez em quando joga a caixa de whisky.

O DJ de casamento ganhou destaque nas festas e não fica mais escondido atrás de vasos de arecas. Agora ele pode comandar a festa de frente para a pista de dança e as caixas de som já não incomodam tanto os decoradores.

Em muitas festas de casamento, o house mix (nome usado para a antiga cabine do DJ) ganha painel de led, projeções, espelho, etc.

A gastronomia mudou e ficou mais informal para atender todos os gostos e todos os bolsos. O serviço volante mudou a cara das festas e a gastronomia da madrugada com muito junkie food é quase obrigatória nos casamentos.

As festas mais intimistas já viraram até casamentos coletivos. Os pais que antes convidam no convite, passaram a ser convidados pelos filhos para se divertir na festa mas sem poder convidar muitos amigos.

O perfil da festa mudou completamente e está mais jovem. Tudo isso acompanhado de perto pelas revistas, blogs e sites especializados em festas de casamento, sempre recheados de muita publicidade das melhores empresas do ramo.

A busca por novas idéias é cada vez mais frequente e tudo é copiado na semana seguinte. Foi-se o tempo do politicamente correto.

A política do momento é se divertir como se não houvesse amanhã. Sempre em busca do amor e do sonho realizado.

Sempre em busca do “dia mais feliz da minha vida”.

DJ de Casamento

Nosso primeiro contato aconteceu exatamente um ano antes após ser procurado pela mãe da noiva, Sra. Maria de Fátima. Eu como DJ de Casamento, havia sido a primeira escolha para o casamento. Casamento Ana Laura e Fernando Sábado, dia 03 de dezembro de 2016. Esse era o dia tão sonhado por Ana Laura para celebrar seu casamento …

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